21/09/2010
Um recorde como viajante
Estou voltando da província de Fukui, que fica lá na outra banda do arquipélago, de frente para o Mar do Japão. Essa foi uma empreitada especial porque com ela eu completei a façanha de ter viajado por todas as 47 províncias do país.
Até que provem o contrário, acredito ser o primeiro e único brasileiro detentor dessa marca. São poucos os japoneses que também já fizeram o mesmo. Não inclui na contagem as vezes que estive em alguma província só de passagem. Contabilizei apenas quando pernoitei e passeei em cada uma delas.

Há vinte anos, quando cheguei no Japão, não falava muita coisa além do arigato/sayonara, mas desde o começo, nos dias de folga, me joguei nos trens e ônibus sem saber até mesmo para onde se dirigiam. Naquela época, também não havia a disponibilidade de informações que temos hoje com as publicações em línguas estrangeiras e a internet, o meu guia turístico eram as janelas dos transportes que tomava. Quando avistava através delas alguma coisa interessante – uma bela paisagem, o tellhado curvilíneo de um templo, uma lojinha tradicional – descia no parada seguinte e ia atrás. Depois, comecei a ter meios próprios de locomoção, além das pernas: bicicleta, vespa, carro. Com eles, rodei por lugares que nem existiam no mapa.
Quanto mais me aventurava pelas terras, pelos costumes, pelas tradições, mais me deslumbrava e sentia vontade e prazer em decifrar este país-ideograma. E o destino me deu de presente uma companheira para todas as viagens, uma japinha legítima que, como eu, curte demais a cultura do seu povo e também a do país que fica no outro lado do mundo. Com as pesquisas e as explicações dela, pulei do pré-primário para a faculdade como viajante-japonólogo.
O destino também nos deu asas para sonhar e voar. A companhia aérea JAL e a empresa J INTER passaram a oferecer as viagens para apresentarmos a cultura japonesa e os pontos turísticos na mídia brasileira existente no Japão. Em terra de cego, quem tem um olho pode enfocar com uma câmera: me tornei um “viajante profissional”. E graças a essas duas empresas e aos jornais e revistas para os quais trabalhei, já são catorze anos de peregrinação do extremo sul ao extremo norte do arquipélago nipônico.
Sempre me perguntam quais os lugares que mais gostei. Depois de viajar por todas as províncias, eu posso afirmar com toda segurança que o lugar que eu mais gostei de visitar foi o coração dos inúmeros japoneses com quem me encontrei nestes vinte anos curtindo o Japão. Desde quando não entendia e não falava quase nada do idioma, sempre fui acolhido amável e fraternalmente. Não deixei de sentir o calor do povo nem em regiões subárticas cobertas de neve e gelo.
Até que provem o contrário, acredito ser o primeiro e único brasileiro detentor dessa marca. São poucos os japoneses que também já fizeram o mesmo. Não inclui na contagem as vezes que estive em alguma província só de passagem. Contabilizei apenas quando pernoitei e passeei em cada uma delas.
Há vinte anos, quando cheguei no Japão, não falava muita coisa além do arigato/sayonara, mas desde o começo, nos dias de folga, me joguei nos trens e ônibus sem saber até mesmo para onde se dirigiam. Naquela época, também não havia a disponibilidade de informações que temos hoje com as publicações em línguas estrangeiras e a internet, o meu guia turístico eram as janelas dos transportes que tomava. Quando avistava através delas alguma coisa interessante – uma bela paisagem, o tellhado curvilíneo de um templo, uma lojinha tradicional – descia no parada seguinte e ia atrás. Depois, comecei a ter meios próprios de locomoção, além das pernas: bicicleta, vespa, carro. Com eles, rodei por lugares que nem existiam no mapa.
Quanto mais me aventurava pelas terras, pelos costumes, pelas tradições, mais me deslumbrava e sentia vontade e prazer em decifrar este país-ideograma. E o destino me deu de presente uma companheira para todas as viagens, uma japinha legítima que, como eu, curte demais a cultura do seu povo e também a do país que fica no outro lado do mundo. Com as pesquisas e as explicações dela, pulei do pré-primário para a faculdade como viajante-japonólogo.
O destino também nos deu asas para sonhar e voar. A companhia aérea JAL e a empresa J INTER passaram a oferecer as viagens para apresentarmos a cultura japonesa e os pontos turísticos na mídia brasileira existente no Japão. Em terra de cego, quem tem um olho pode enfocar com uma câmera: me tornei um “viajante profissional”. E graças a essas duas empresas e aos jornais e revistas para os quais trabalhei, já são catorze anos de peregrinação do extremo sul ao extremo norte do arquipélago nipônico.
Sempre me perguntam quais os lugares que mais gostei. Depois de viajar por todas as províncias, eu posso afirmar com toda segurança que o lugar que eu mais gostei de visitar foi o coração dos inúmeros japoneses com quem me encontrei nestes vinte anos curtindo o Japão. Desde quando não entendia e não falava quase nada do idioma, sempre fui acolhido amável e fraternalmente. Não deixei de sentir o calor do povo nem em regiões subárticas cobertas de neve e gelo.


Comentários
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Sigo seu blog há pouco tempo mas já me encantei com as histórias e as fotografias. Continue compartilhando estas ótimas experiências conosco(y). Espero que um dia eu também possa fazer estas 'peregrinações culturais' por esse país maravilhoso q é o Japão.
Abraços!
Abraço
legal demais ter conquistado essa marca! parabéns!
um dia, eu também quero chegar lá! hihihi...
e, agora, qual vai ser a sua meta? passar por todas as províncias novamente? ir atrás das cidades que você nao conhece? parar é que nao pode né!
abraços do brasil!
fiquei emocionada com o relato
não só pela marca atingida
mas com o sentimento desperto e consciente da compreensão da missão
é muito bom quando encontramos algo que fazemos com prazer e satisfação.
Desejo muito mais andanças e descobrimentos por esse pequeno gigante, o seu país-ideograma.
beijos
Obrigado pelo incentivo.
Espero que você curta bastante o Brasil, se delicie até as tampas com todos os pratos da maravilhosa culinária mineira (só de pensar me da água na boca) e volte em breve para o Japão para retomar suas andanças.
Mesmo tendo viajado por todas as províncias, ainda existe muita coisa que eu quero ver e conhecer neste país. Precisaria viver até uns 200 anos. hahaha
Também tem outros tantos lugares que gostaria de voltar, contemplar por novos ângulos, ficar curtindo sem pressa…
E as pessoas… quanta gente que eu adoraria poder reencontrar !…
Para não viver sofrendo de saudades, o viajante precisa estar sempre inventando uma nova viagem. Nem que seja uns passinhos no seu quintal, na sua calçada, lançando olhares para se felicitar com pequeninas descobertas.
As minhas viagens continuarão, sempre, para dissuadir as saudades e novamente ter que dissuardi-las.
Grande abraço
você fez meus olhos ficarem boiando numa lagoa.
Fiquei emocionado não só pelos parabéns,
mas com o sentimento de comunhão de sentimentos.
Sim, me considero um sortudo de estar ciente da missão. Sorte também de ter as suas visitas, os seus comentários e a sua generosidade fortalecendo a certeza que esse é o meu dever. Muito arigato.
beijos
Se você viveu aqui por 19 anos, então deve ter tido experiências parecidas com a minha no começo, né? Continue acompanhando o site que ainda temos muita coisa para contar. Abraço
Boto fé que o recorde é seu!
E que continue mostrando através de seus relatos e fotos o Japão que ainda não posso ver ao vivo.
Parabéns pelo blog!