Relatos e Potos

Série sobre a província de Miyazaki

Udo-jingū, casamento à moda antiga

Um evento que se realiza no mês de março relembra o antigo costume dos noivos de ir rezar no Udo-jingū Antes de visitar o templo xintoísta Udo-jingū, da cidade de Nichinan (Miyazaki), é bom conhecer a sua história para apreciar ainda mais esse espetacular santuário que fica na beira de um penhasco diante do mar.

Segundo uma saborosa lenda, no local teria nascido o pai do primeiro imperador mitológico do Japão, dentro da caverna onde atualmente se encontra o pavilhão principal.

Um outro destaque é o evento que recupera uma antiga tradição da região. Ao se casar, era costume ir rezar no Udo-jingū mesmo tendo que caminhar longa distância. A mulher ia a cavalo e o homem, a pé, puxando-os. Entre os poderes da divindade do templo está o de criar laços para encontrar um parceiro, velar pelo bom parto e pela saúde das crianças.


O templo foi erguido entre as rochas de um penhasco. À esquerda está a caverna do pavilhão principalMitologia
A divindade do Udo-jingū é o Ugayafukiaezu-no-Mikoto. Resumindo o enredo e o nome dos personagens, a lenda mitológica sobre ele seria mais ou menos assim: Hikohohodemi, deus das dádivas da terra, estava pescando no mar e perdeu o anzol que pertencia ao irmão, o deus das dádivas do mar. Então, ele mergulhou para procurar o anzol e se encontrou com a princesa Toyotama, a filha do deus do mar. Os dois se apaixonaram.

Toyotama ficou grávida e quis ter o filho fora do mar, no mundo do parceiro. Depois de encontrar uma caverna na orla, o casal ergueu uma cabana e ainda estava cobrindo o telhado quando ela começou a sentir as dores do parto.

A princesa pediu ao parceiro para que ele não olhasse dentro da cabana até o filho nascer. Mas ele não cumpriu a promessa e viu Toyotama se transformar num ser marinho, como uma grande cobra, para dar à luz.

Morrendo de vergonha por ter sido vista com a sua forma original, ela abandonou o recém-nascido Ugayafukiaezu e voltou para as profundezas do mar. Mas, sentido pena do filho, a princesa enviou a sua irmã mais nova, Tamayori, para cuidar da criança.

O pavilhão principal do templo fica dentro de uma caverna que é o palco de uma lenda da mitologia japonesaAssim sendo, a caverna do templo seria o local onde Toyotama deu à luz a Ugayafukiaezu. No teto tem uma rocha saliente onde sempre fica pingado água. Segundo a lenda, é o seio da princesa que o arrancou e fixou ali antes de voltar para o mar. O filho sobreviveu e cresceu saudável bebendo essa água milagrosa.

Quando Ugayafukiaezu ficou adulto, ele acabou se casando com a tia que o criou. Os dois tiveram quatro filhos e o caçula se tornou o Jinmu-tennō, o criador da nação e primeiro imperador mitológico do Japão.

Costume antigo
O povo do sul da província de Miyazaki tinha o costume de visitar o Udo-jingū ao se casar. Era uma peregrinação para saudar a divindade e rezar pedindo proteção no parto, numerosa e saudável prole. Mas também não deixava de ser uma viagem de lua-de-mel. Dependendo da distância, podia levar dias, pernoitando em pousadas pelo caminho. Depois de retornar é que se fazia a festa com a família.

O costume, chamado Shanshan-uma-dōchū, era muito comum na era Meiji (1868~1912), depois foi diminuindo até a extinção. Mas, desde 1986, para relembrar a tradição, a associação de turismo de Nichinan realiza um evento anual no mês de março. O casal que quiser participar se inscreve com antecedência e depois um deles será escolhido por sorteio. Vestidos com roupas da época, os noivos ganham uma cerimônia no templo e posam para fotografias junto com o cavalo.

Neste ano, seis casais se inscreveram. Os noivos contemplados foram Masayuki e Maki Oda. Eles quiseram participar do evento porque a primeira vez que saíram juntos foi para passear no Udo-jingū.

Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo
  • Web TV
Veja mais fotos
Um evento que se realiza no mês de março relembra o antigo costume dos noivos de ir rezar no Udo-jingūO pavilhão principal do templo fica dentro de uma caverna que é o palco de uma lenda da mitologia japonesaO templo foi erguido entre as rochas de um penhasco. À esquerda está a caverna do pavilhão principalO portal ao fundo é a entrada da caverna. Na foto também se vê os visitantes atirando a bolinha da sorte
Para ter sorte, é preciso acertar a bolinha dentro do buraco circundado por uma cordaO homem deve atirar a bolinha com a mão esquerda e a mulher com a direitaUm detalhe da exótica cerimônia xintoísta no pavilhão principal

Topo

| Home |