Relatos e Potos

Série: Eventos de outono na região de Kanto

Tori No Ichi, um ancinho para recolher a felicidade

A tradicional barraca Yoshida é uma atração à parte no festival. Os atuais donos ainda produzem o kumade como os seus ancestrais faziam, com figuras de papel e pintadas à mão Todas as vezes que vou a um Tori No Ichi ou que vejo na mídia uma notícia sobre ele, sinto que é um importante evento que desperta as pessoas para o fato de que o fim do ano já está bem próximo. O festival também faz a gente começar a cultivar no espírito aquele sentimento de otimismo, esperança e desejos, fundamental para se iniciar um novo ciclo do calendário e tocar a vida para a frente.

O Tori No Ichi é uma feira realizada em alguns templos xintoístas em determinados dias do mês de novembro ou dezembro. O festival é uma tradição da região de Kanto, de províncias como Tokyo, Kanagawa, Saitama e Chiba.

É no templo Otori-jinja, de Asakusa, que acontece o Tori No Ichi mais famoso e badalado. O número de pessoas que comparecem nos dias do festival ultrapassa o número de 800 mil e no território do templo são instaladas cerca de 200 barracas que vendem o kumade.

Os produtores de kumade criam estilos originais e até com temas específicos para chamar a atenção dos compradores No dicionário a palavra kumade seria traduzida como ancinho ou rastelo, mas o objeto comercializado nas barracas do Tori No Ichi é uma espécie de amuleto para “recolher” a prosperidade e felicidade.

Antigamente, em uma armação de bambu com forma de ancinho era colocado algum enfeite que tivesse a simbologia de bom agouro, como por exemplo um galhinho com a espiga de grãos de arroz, desejando boa colheita. Ainda hoje o próprio Otori-jinja vende um com esse feitio. Mas com o passar do tempo foram sendo acrescidos várias outras figuras e o kumade se tornou uma verdadeira “parafernália da sorte”.

Um kumade com vários enfeites que simbolizam a boa sorte, fortuna e felicidade É muito interessante porque às vezes podemos ver reunidos num só kumade enfeites com todos os símbolos da crença popular japonesa que representam a boa sorte, a prosperidade e a felicidade.

Dias da feira
O Tori No Ichi está sendo realizado desde o período Edo (1603~1868), principalmente, para se rezar pela boa colheita e pelo sucesso nos negócios. Apesar do costume estar bem disseminado entre a população em geral nas regiões onde ele é tradicional, é para os comerciantes e o empresários que o festival tem um significado especial.

No primeiro dia do evento deste ano conheci um casal que possui uma empresa em Niigata. Apesar dessa província ficar bem longe de Tokyo, todos os anos os dois vem ao Otori-jinja e já deixam o kumade encomendado com antecedência, sempre na mesma barraca. “Na nossa região também se realiza o Tori No Ichi, mas para nós tem que ser o daqui porque a divindade deste templo tem mais poder e trás mais sorte”, afirmam convictos.

No Otori-jinja o festival é realizado todo ano no mês de novembro, e nos dias do tori (galo), baseado no calendário antigo. No ano 2008, os dias do Tori No Ichi são 5, 17 e 29 de novembro. Em cada um desses dias o funcionamento é de 24 horas. As ruas em volta do templo também ficam muito animadas, especialmente à noite, com a presença de inúmeras barracas de comidas típicas dos festivais japoneses.

Churrascaria Que Bom! Sabor brasileiro em Asakusa
Quem for passear em Asakusa e quiser matar a saudade de um bom churrasco, encontrará uma ótima opção bem perto do Otori-jinja, a Churrascaria Que bom!. O sistema de serviço é de rodízio e salada-bar self-service.

Um dado interessante é que a empresa japonesa que administra o restaurante comprou a marca “ATHLETA”, que era de uma fábrica brasileira de artigos esportivos e que fez grande sucesso no passado. Inclusive, foi a marca oficial dos uniformes usados pela seleção brasileira de futebol nas copas de 58, 62 e 70.

Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo
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A tradicional barraca Yoshida é uma atração à parte no festival. Os atuais donos ainda produzem o kumade como os seus ancestrais faziam, com figuras de papel e pintadas à mãoQuando se vende um kumade, os vendedores da barraca e o comprador fazem um ritual batendo palmas para dar sorteOs produtores de kumade criam estilos originais e até com temas específicos para chamar a atenção dos compradoresO templo também vende kumade mais simples, com o mesmo estilo de antigamente
Um kumade com vários enfeites que simbolizam a boa sorte, fortuna e felicidadeNo portal os visitantes são abençoados com um ritual xintoísta. Na foto se vê uma pessoa carregando um grande kumadeAs lanternas também são atrações do Otori-jinja nas noites do festivalChurrascaria Que Bom!

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