Série sobre a península de Noto (Ishikawa)
Wajima-nuri, a excelência da laca japonesa
19/02/2010
Esta reportagem foi feita em setembro de 2008.
Ao visitar a cidade de Wajima e conhecer as lojas e ateliês de artesanato de laca produzido nessa região, lembrei que tinha muitas peças decorativas e utensílios parecidos na casa do meu avô, lá no Brasil. Mas, eu não sei dizer se elas eram realmente de laca genuína. Porque aprendi nessa viagem que existe uma grande produção de artigos feitos de plástico imitando esse estilo e que são vendidos nas lojas de departamentos e até nos supermercados nipônicos. A mais comum é a tigela de cor preta e vermelha onde normalmente se coloca o misoshiru, e que tem em quase todas as casas japonesas.
Além das lojas e ateliês, também fui a um restaurante e a uma cafeteria que servem a comida em utensílios de laca. Pude manuseá-los à vontade. Realmente, existe uma grande diferença, comparando com os feitos de plástico.O wajima-nuri, como é chamado o artesanato de laca da região, se ajusta à mão transmitindo uma sensação terna e de realmente ter sido confeccionado com materiais retirados da natureza. As peças são gostosas de se tocar e podem proporcionar um prazer ainda maior na hora da refeição.
Desde a pré-história
A laca é uma resina natural meio transparente, chamada de urushi, retirada de espécies de árvores originárias do extremo oriente. Além do Japão, a China e a Índia têm longa tradição na sua utilização como verniz, acrescentando pigmentos ou não, para revestir objetos de madeira, de bambu e outros.
Em vários lugares do Japão se produz o artesanato de laca, contudo, as peças mais conceituadas dentro do próprio país são as de Wajima. O clima da região, sobretudo a elevada umidade do ar, colabora para que o urushi atinja um alto grau de resistência e durabilidade.
Esse artesanato em Wajima tem uma tradição de 500 anos, mas desde a pré-história o urushi já vinha sendo utilizado. O objeto revestido com laca mais antigo do Japão foi um pente feito a 6.800 anos. A ruína arqueológica onde ele foi encontrado situa-se justamente na península de Noto, na atual cidade de Nanao, vizinha de Wajima.Ateliês e lojas
Uma peça de wajima-nuri pode levar meses ou mesmo um ano para ser concluída. Depois de ser esculpida na madeira, recebe dezenas de camadas de laca. Cada camada é lixada após secar. Até chegar ao acabamento final, ela pode passar pelas mãos de vários artesãos. Devido à necessidade de alta especialização em cada etapa, não há nenhum profissional que domine todo o processo.
O melhor lugar da cidade para conhecer profundamente esse requintado artesanato é o Wajima Kōbō Nagaya. Nele existe um conjunto de ateliês, onde pode-se ver as peças passando por alguns dos processos de produção, e lojas com diversos tipos de wajima-nuri, com designs clássicos e modernos. Nesse mesmo local também funciona um restaurante que serve a comida em utensílios de laca.
A cafeteria Wafuan também é imperdivel. Ela funciona no segundo piso da loja de doce Nakauraya. Além dos utensílios, até os móveis são revestidos de laca.
Na cidade também tem onsen e ótima pousadas com banho de água termal natural.
Monstros Tocadores de tamborUm outro destaque cultural da península de Noto é o grupo Gojinjo Daiko. Ele existe desde 1576 e a história da sua criação é muito interessante. Nesse ano, a península de Noto estava sendo atacada por navios de um feudo vizinho. Os moradores do povoado Nabune avistaram os inimigos se aproximando, mas não tinham armas para se defender. Então, confeccionaram máscaras de monstros, pegaram algas no mar e usaram como se fosse uma medonha cabeleira. Depois foram até à praia e passaram a tocar tambores com ritmo e movimentos vigorosos. Os invasores se assustaram com a fantasmagórica visão e fugiram.
Desde então o grupo continuou com a performance, passando-a de geração a geração. Atualmente, ele faz apresentações regulares para os turistas na cidade de Wajima. Entre os membros têm vários que são artesãos de wajima-nuri. Vale a pena conferir.
Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo
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Informações úteis
Wajima Kōbō Nagaya – Endereço: Wajima-shi, Kawai-machi 4-66-1. Fica no centro antigo da cidade. Entrada gratuita. Funcionamento: das 9h às 18h. De novembro a fevereiro, até 17h. Fecha nas quartas-feiras. A visita aos ateliês é das 10h às 16h. Tel.: (0768) 23-0011. Site em japonês: http://ringisland.jp/nagaya/
Loja Nakauraya – Wajima-shi, Kawai-machi, Waichi 4-BU-97. A cafeteria Wafuan fica na sobreloja. Das 9h às 17h. Tel.: (0768) 22-0131. Site em japonês: http://www.ysn.am/
Gojinjo Daiko – Informações sobre dia e horário das apresentações na Wajima Furattohoumo. Tel.: (0768) 22-1503. Ou no site do grupo: http://www.gojinjodaiko.jp/
Gojinjo Daiko – Informações sobre dia e horário das apresentações na Wajima Furattohoumo. Tel.: (0768) 22-1503. Ou no site do grupo: http://www.gojinjodaiko.jp/
Como chegar
A JAL tem vôos para o aeroporto de Komatsu a partir de Haneda (Tokyo) e Naha (Okinawa). Deste aeroporto parte ônibus com destino à estação Kanazawa da JR (percurso: 40 min.; tarifa: ¥ 1.100).
Da estação de trem Kanazawa deve-se tomar um ônibus Wajima Tokkyu e descer na parada Wajima Furattohoumu (percurso: 2 horas; tarifa: ¥ 2.200). Os locais citados na matéria ficam a cerca de 5 minutos a pé.
Da estação de trem Kanazawa deve-se tomar um ônibus Wajima Tokkyu e descer na parada Wajima Furattohoumu (percurso: 2 horas; tarifa: ¥ 2.200). Os locais citados na matéria ficam a cerca de 5 minutos a pé.










