Relatos e Potos

Série sobre a península de Noto (Ishikawa)

Okumakabuto Matsuri, um autêntico festival do interior

Os carregadores de cada grupo correm várias vezes dentro da área do templo carregando os pesados estandartes, omikoshi e bonecos
Entre os vários festivais japoneses que já vi, o Okumakabuto Matsuri, da cidade de Nanao (Ishikawa), foi um dos que mais me impressionaram. Além das “performances e alegorias” serem um pouco diferentes do comum, o que me marcou profundamente foi que a festa estava perfeitamente integrada com o cenário onde ela acontecia: dentro de uma paisagem rural bem típica e tradicional, daquelas que já estão em extinção no país e que quase só vemos em fotografias antigas.

Nos campos em volta do local onde acontece o festival se vê o arroz recém-colhido O evento é realizado anualmente no dia 20 de setembro, para se festejar e agradecer à divindade do templo xintoísta Kumakabuto pela colheita do arroz. E neste ano, em volta do santuário ainda se via nos campos o cereal recém-colhido, pendurado para secar em armações de vara. De tal forma que o matsuri se completava, incorporado no seu ambiente e transmitindo o sentido original da sua criação, a alegria e a gratidão pela dádiva do alimento.

O Sarutahiko é uma das figuras principais do festival. Ele vai à frente de cada grupo, dançando e abrindo a passagem Sarutahiko e Wakubata
Um dos destaques desse festival é o Sarutahiko, que se apresenta vestido com uma fantasia estampada e usando uma máscara vermelha com um longo nariz.

Cada grupo tem o seu Sarutahiko, que na verdade é um personagem da mitologia japonesa que guiou um deus do céu até a Terra. No festival ele segue à frente do grupo, guiando e purificando o caminho enquanto desenvolve uma curiosa dança.

Um outro destaque são os grandes estandartes vermelhos chamados de Wakubata. Alguns chegam a ter até 20 metros de altura. Eles são carregados pelos grupos e quando ultrapassam o portal do templo, saem correndo até à frente do pavilhão onde fica o altar. Depois de saldar a divindade erguendo o pesado andor onde está fincada a bandeira, novamente voltam até o portal e saem outra vez em disparada. Cada grupo repete várias vezes esse ritual, esbanjando muita energia e contagiando o público.

O pesado andor com o estandarte é levantado diante do altar para saudar a divindade do templo Depois de fazer a saudação no templo, os grupos vão para um outro local e fazem performances movimentado o mastro do enorme estandarte até chegar rente ao chão, porém sem deixar ele tocar no solo. É uma demonstração da virilidade dos carregadores.

Além do Sarutahiko e do Wakubata, os grupos carregam um omikoshi (andor com uma pequena capela xintoísta, bonecos e contam com tocadores de tambor e outros instrumentos. Eles chegam a ter entre 70 e 100 participantes. Cada grupo representa um dos 19 bairros da antiga cidade de Nakajima, que hoje faz parte de Nanao.

Porta para a Ásia
Os enormes estandartes vermelhos juntos (no festival deste ano contei 25) desenham uma cena bem típica da Ásia antiga, lembrando bastante o histórico império chinês. E isso não é de se estranhar, porque acredita-se que a origem do festival foi um ritual introduzido no Japão por pessoas vindas do continente, mais precisamente da península coreana, há cerca de mil anos.

Antigamente a península de Noto, onde fica a cidade de Nanao, era uma porta aberta para a Ásia. Aproveitado a corrente marítima e os ventos do Mar do Japão, muitos barcos coreanos e chineses aqui chegavam com facilidade e estabeleceram um forte intercâmbio cultural.

Museu do festival
O museu Noto Nakajima Matsuri Kaikan, que fica bem próximo do templo Kumakabuto, mostra através de exposições de painéis, maquetes, vídeos e outros audiovisuais diversos festivais que acontecem na região que pertencia à antiga cidade de Nakajima.

O destaque maior é para o Okumakabuto Matsuri, com uma reconstituição com bonecos em tamanho natural da parada feita pelo grupo carregando a grande bandeira. Também tem uma exposição de 44 máscaras verdadeiras do Sarutahiko e inclusive um robô que imita a sua dança.

Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo
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Nos campos em volta do local onde acontece o festival se vê o arroz recém-colhidoO Sarutahiko é uma das figuras principais do festival. Ele vai à frente de cada grupo, dançando e abrindo a passagemO estandarte chega a ter 20 metros de alturaOs carregadores de cada grupo correm várias vezes dentro da área do templo carregando os pesados estandartes, omikoshi e bonecos
Os carregadores de cada grupo correm várias vezes dentro da área do templo carregando os pesados estandartes, omikoshi e bonecos O pesado andor com o estandarte é levantado diante do altar para saudar a divindade do temploO pesado andor com o estandarte é levantado diante do altar para saudar a divindade do temploO omikoshi também é carregado pelos grupos  desse festival
O omikoshi também é carregado pelos grupos  desse festivalO Sarutahiko é uma das figuras principais do festival. Ele vai à frente de cada grupo, dançando e abrindo a passagemUm dos pontos que chama a atenção é a maneira de carregar e tocar o tamborA máscara do Sarutahiko
Um pequeno Sarutahikooutros personagens fantasiados também participam do festivalPote tradicional de madeira com sakeDança de todos Sarutahiko
Um dos pontos que chama a atenção é a maneira de carregar e tocar o tamborNo dia do festival as pessoas da comunidade se reúnem nas amplas casas do agricultores para comer e beberEm todos os mastros dos estandartes tem um bonequinho de um macacoEm todos os mastros dos estandartes tem um bonequinho de um macaco

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