Relatos e Potos

Série sobre Kyoto (Quioto)

Kyoto, cerimônias do chá sem muita cerimônia

Uma das atrações do jardim japonês do templo Heian Jingu é a casa típica de cerimônia do chá

Kyoto + Sakura + Cerimônia do Chá

Não é preciso vestir quimono, nem ficar de joelhos e muito menos seguir a rígida etiqueta que caracteriza um dos ícones da cultura nipônica. Em Kyoto, é muito fácil ter a oportunidade de tomar o matcha - o tipo de bebida preparada na cerimônia do chá.

Matcha, a bebida da cerimônia do chá Nas lojas e lanchonetes de doces japoneses, nos restaurantes típicos, nos templos, nos festivais e até na casa das pessoas comuns, o chá verde em pó, “batido na água quente com uma vassorinha”, pode ser apreciado sem nenhum protocolo.

Mas seria um desperdício ir à antiga capital imperial e não ter pelo menos uma visão macro do que é essa arte. Por isso, eu vou servir de guia e te levar num passeio por Kyoto para participar de cerimônias do chá sem muita cerimônia. E mais: num jardim de estilo japonês com cerejeiras em plena floração.

Primeiro, vamos ao templo Kenninji. Quero lhe apresentar a pessoa que introduziu no Japão a planta de chá e ensinou a fazer o matcha.

Monge Yousai Aquela pintura ali na parede do salão principal é o retrato do monge Yousai. No século 10, ele foi estudar na China e trouxe o zen budismo para o Japão, além do chá. Em 1202, criou este santuário. Aliás, o Kenninji é o templo zen budista mais antigo em Kyoto: já ultrapassou oitocentos anos de existência.

Yousai divulgou pela primeira vez no Japão a maneira de beneficiar as folhas da planta para se conseguir o matcha. Elas devem ser levemente cozidas no vapor e, após a secagem, moídas até se tornarem um pó bem fino. Prepara-se dissolvendo em água quente, sem necessidade de coar ou filtrar.

Jardim zen do templo Kenninji Agora, contemple o jardim zen do templo. Essa estética despojada é a mesma que serviu de base para a cerimônia do chá. A sofisticação, na verdade, está na simplicidade do ambiente, dos utensílios e dos movimentos de quem prepara, serve e bebe o chá - apesar de parecer o contrário à primeira vista.

Mestre dos mestres
A visita seguinte será ao museu Chado Shiryōkan, que é dirigido por descendentes do mestre dos mestres. Foi Rikyu Sen (1522-1591) quem criou a essência e a forma da cerimônia do chá. Ele baseou-se na filosofia zen budista, buscando a sofisticação e elegância dentro da “rusticidade e simplicidade”.

Após a morte do mestre Rikyu, três netos continuaram a desenvolver o estilo criado pelo avô e fundaram linhas diferentes. Uma delas é a Urasenke, a que tem maior número de discípulos.

A Urasenke mantém o museu Chado Shiryōkan. Aqui você vai ver exposições elucidativas e valiosos objetos relacionadas com a arte do chá. O ingresso dá direito a tomar matcha e comer um doce, sem cerimônia.

O museu também realiza cursos de cerimônia do chá para iniciantes, cinco vezes ao dia (às 10h, 11h, 13h, 14h e 15h) e com uma hora de duração. Estrangeiros podem participar, mas as explicações são em japonês. É gratuito (paga-se apenas o ingresso no museu) e a reserva deve ser feita por telefone (pode ser em inglês) pelo menos com uma semana de antecipação.

O museu fecha nas segundas-feiras. De 5 a 16 de abril de 2010 também permanecerá fechado.


Uma vez por mês, mestres de linhas tradicionais preparam o chá no templo Heian Jingu Sem reserva e com sakura
A última visita será para, agora sim, participar de uma cerimônia do chá. Vamos ao templo xintoísta Heian Jingu.

O jardim japonês desse impressionante santuário tem mais de três hectares e é dividido em áreas com estilos diferentes. Numa delas, na Nishi Shin’en, fica a casinha típica de cerimônia do chá. Normalmente, só “funciona” uma vez por mês, mas durante as duas primeiras semanas de abril, época da floração da cerejeira, a atividade é diária.

O bom nesse local é que não é preciso fazer reserva. É só chegar e ficar na fila para participar da cerimônia. O (A) mestre que prepara a bebida segue à risca o estilo clássico, mas o visitante não precisa suar frio. É uma cerimônia sem muita cerimônia.

O mais importante não é fazer tudo certinho como manda o protocolo. Fique relaxado e aproveite a oportunidade para se integrar ao ambiente e tentar captar a essência da cerimônia, que é a “sofisticação dentro do simples e do rústico”.

O auge da floração do tipo de cerejeira que tem no jardim do Heian Jingu ocorre no meado de abril. É um dos últimos a florescer, normalmente, quando o someyoshino – o tipo mais plantado no país – já terminou.

Nesse local, é realizado um evento chamado Tsukigama no segundo domingo de cada mês (exceto em *abril e agosto), das 9h às 15h. O ingresso no jardim custa ¥ 600 e a cerimônia do chá, ¥ 700 (incluindo um doce).

*Em abril, do dia 1 a 16, das 8h30 às 16h, acontecerá uma programação especial do Tsukigama junto com o festival das cerejeiras.



Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo


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Uma das atrações do jardim japonês do templo Heian Jingu é a casa típica de cerimônia do cháUma vez por mês, mestres de linhas tradicionais preparam o chá no templo Heian JinguUm doce combinando com a estação do ano sempre acompanha o matcha nas cerimôniasJardim do templo Heian Jingu. Em Kyoto, o auge da floração desse tipo de cerejeira da foto é em meados de abril. É um dos últimos a florescer, normalmente, quando o someyoshino – o tipo mais plantado – já terminou.
Jardim do templo Heian Jingu. Em Kyoto, o auge da floração desse tipo de cerejeira da foto é em meados de abril. É um dos últimos a florescer, normalmente, quando o someyoshino – o tipo mais plantado – já terminou.Jardim do templo Heian Jingu. Em Kyoto, o auge da floração desse tipo de cerejeira da foto é em meados de abril. É um dos últimos a florescer, normalmente, quando o someyoshino – o tipo mais plantado – já terminou.O monge zen budista Yousai introduziu a planta de chá no JapãoKenninji, o mais antigo templo zen budista de Kyoto
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Utensílios usados na aula de preparação do chá no Urasenke Center

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