Relatos e Potos

Um festival para as mulheres mergulhadoras

Quase uma centena de Ama entra na água carregado tochas acesas
Eu admiro muito os profissionais que ajudam a alimentar a humanidade com o seu trabalho, como os pescadores e agricultores. E chego mesmo a venerar os que fazem isso sem causar grandes danos à natureza. Por tal razão admiro, venero e invejo as Ama, as mulheres que coletam moluscos mergulhando no mar.

O ponto que me impressiona mais é que elas praticam um extrativismo com técnica quase primitiva, mantendo-se dentro d’água apenas com o ar dos próprios pulmões. E isso no país que produz os mais avançados submarinos para explorar as grandes profundezas oceânicas.

Por que as Ama não usam, pelos menos, tanques de oxigênio? A resposta é simples, lógica e ecológica. Para preservar os recursos naturais. Se utilizassem equipamentos para facilitar o trabalho, os tipos de frutos do mar que elas coletam diminuiriam drasticamente e inviabilizaria a atividade.

Obrigatoriamente, a Ama tem que ingressar numa associação ou cooperativa para conseguir a licença para exercer esse trabalho. Deverá pagar taxas e seguir regras rígidas que define o período permitido e o tamanho dos frutos do mar que podem ser coletados. O uso de tanque de oxigênio é expressamente proibido, e até mesmo o simples snorkel (tubo de respiração). Em certos lugares também é não é permitido usar roupas de borracha, forçando a mergulhadora a limitar o trabalho por causa do frio.

Se as regras e a sua aplicação fossem assim tão rígidas com relação a todas atividades humanas que causam impacto ambiental, com certeza, a saúde ecológica do planeta não estaria tão ameaçada.

Festa de verão
Os principais frutos do mar que as Ama coletam são as conchas de awabi (abalone) e sazae (concha turbo), além da lagosta, que proliferam bastante no litoral de costa rochosa. Nesses pontos do arquipélago japonês, desde eras primitivas já existia a atividade de pesca feita por mergulhadores.

Em Shirahama existem cerca de duzentas mergulhadoras profissionais Em certas regiões do país existem Ama do sexo masculino, mas quando se ouve a palavra, a imagem que surge na cabeça dos japoneses é a das mulheres mergulhadoras. No geral, tradicionalmente, elas são em maior número.

Nas últimas décadas, está diminuindo drasticamente o número de pessoas que exercem a profissão e em muitas regiões desapareceu de vez. Não são poucos os japoneses que pensam que a atividade das Ama já foi extinta, e que só se mantém em alguns lugares do país como atração turística.

Mas esse ainda não é o caso de Shirahama, que fica no extremo sul do província de Chiba, na cidade de Minamiboso. A cooperativa de pesca local tem 200 mergulhadoras associadas.

Uma das danças do festival de Shirahama foi inspirada a atividade das Ama O típico festival de verão local é dedicado a essas mergulhadoras e o seu nome é Shirahama Ama Matsuri. Ele é realizado todo ano no feriado do Umi no Hi (Dia do Mar). Ou seja, na terceira segunda-feira de julho e também no dia seguinte.

O ápice da festa é a hora em que quase uma centena de Ama entra no mar vestindo a tradicional roupa branca e levando na mão uma tocha acesa. Elas dão uma volta nadando dentro da área do porto e nesse momento sobem ao ar fogos de artifício, para delírio do público.

Parque Nojimazaki-todai
O festival é realizado no porto pesqueiro Nojima Gyoko, que fica junto ao parque do farol Nojimazaki-todai. Este local também é uma atração turística, onde está o marco do ponto do extremo sul da península Boso, tem belas paisagens e uma piscina natural com água do mar.

Prato de sashimi de variados frutos do mar servido no restaurante Nikou Próximo ao parque existem ainda bons restaurantes, hotéis e pousadas (alguns contam com banhos de água termal natural).

Para quem quiser experimentar frutos do mar, a sugestão é o restaurante Nikou, que fica na praça em frente ao porto. O dono é pescador e diariamente traz produtos frescos para serem servidos.

Nesse e em outros restaurantes do local podemos experimentar os frutos do mar especiais dessa região e que também são coletados pelas Ama, como o molusco sazae. A iguaria pode ser assada na própria concha ou como sashimi. A lagosta é outra preciosidade gastronômica local.

Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo
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No festival, quase uma centena de Ama entra na água carregado tochas acesasEm nenhum outro festival do país se pode ver uma imagem como esta do Shirahama Ama Matsuri que é dedicado às mergulhadoras que coletam frutos do marEstátua em homenagem às Ama do litoral de ShirahamaAs Ama na costa de Shirahama
Em Shirahama existem cerca de duzentas mergulhadoras profissionaisAs Ama mergulham nas rochas perto da praia ou vão de barco até pontos  mais profundos ao largo da costaParque em volta do farolO Nojimazaki-todai foi o segundo farol instalado no Japão, em 1870
Marco do ponto mais sul da província de Chiba, localizado no parque Nojimazaki-todaiA grande piscina natural com água do mar do parque Nojimazaki-todaiUma das danças do festival de Shirahama foi inspirada a atividade das AmaAssando o molusco sazae no dia do festival
O sazae é um dos frutos do mar colhidos pelas AmaNo dia do festival o sazae assado é distribuído para os visitantesPrato de sashimi de variados frutos do mar servido no restaurante NikouLagosta assada servida no restaurante Nikou
Sashimi de sazae servido no no restaurante Nikou

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